“A Constituição não é perfeita. Discordar dela, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da pátria.”- Ulysses Guimarães.
Marco César Aga*
Há discursos que terminam quando o orador deixa o microfone, outros atravessam gerações e continuam a nos perguntar: que país queremos para nossos filhos? Há 526 anos os portugueses chegaram ao Brasil e trouxeram ao nosso continente uma nova nação. Marginalizaram os povos originários e conceberam uma sociedade branca baseada na ideia de que todos os homens são criados iguais, desde que de origem caucasiana. O tempo se encarregou de colocar as coisas nos seus devidos lugares, onde parte de nós brasileiros, busca dia a dia, construir uma sociedade onde os povos originários e afrodescendentes tenham seus direitos de cidadania e dignidade social garantidos e preservados. A luta continua. Hoje avançamos muito como sociedade justa e igualitária, mas temos muito que construir em termos de direitos e dignidade. Novamente as eleições, testando nossa democracia e se ela pode perdurar, diante de tanta indignação e revolta de lado a lado. Penso em quantos homens deram suas vidas para que essa nação pudesse sobreviver. Em todas as áreas de nossa sociedade, não só na política. É bastante adequado que façamos isso, para que possamos entender que temos em nossas mãos um legado que é fruto da dedicação de muita gente, de muita luta e suor, de muito sacrifício e abnegação. A sanha da acusação e da depreciação, tão presente em épocas eleitorais, não pode deixar que esqueçamos tudo que já foi construído até aqui por homens e mulheres que dedicaram suas vidas em favor do Brasil e do seu próximo. Com todas as suas mazelas e desigualdades nossa nação foi concebida em liberdade e muitos lutaram para que chegássemos até aqui. O momento pede reflexão. Penso que um líder não deve transformar sua própria imagem no centro da história. Ele deve olhar para tudo que permanece depois dele: a liberdade, a democracia, a soberania, a dignidade das pessoas e o bem comum. Um país só vale a pena quando ele é maior que seus governantes. O compromisso frequente de nossos políticos deveria ser sempre a vida das pessoas, a dignidade humana e o futuro de cada um, porque aquilo que fazemos pelas pessoas permanece. O cidadão e eleitor que teve sua dignidade respeitada, manterá a esperança de que a democracia poderá melhorar sua vida, pois a política sobrevive quando homens e mulheres compreendem que o bem comum deve ser maior que seus projetos pessoais. Que a história que nossos antepassados escreveram até aqui, nos faça entender, que o país não pertence aos políticos e sim ao povo que o constrói todos os dias. Lutemos pela democracia e pela paz. Honremos nossos antepassados. Façamos das eleições próximas uma festa democrática pela vida.
*Marco César Aga – Ex-prefeito de Casa Branca/SP.








