A cada ano a Igreja Católica no Brasil celebra o Mês da Bíblia — um período dedicado ao aprofundamento da Sagrada Escritura em paróquias, comunidades, seminários e instituições de ensino.
Em 2026, o livro escolhido pela Comissão Episcopal para Animação Bíblico-Catequética da CNBB é o Livro de Daniel.
A escolha não é arbitrária. Daniel é um livro de resistência espiritual. Foi escrito em um período de perseguição religiosa para fortalecer a fé de um povo que enfrentava pressões para abandonar sua identidade e se render aos poderes dominantes.
Sua mensagem central é atemporal. A fidelidade a Deus sustenta o ser humano mesmo nas situações mais adversas.
Marcado por narrativas, símbolos, sonhos e visões, o livro de Daniel apresenta uma mensagem de fidelidade e esperança em meio às adversidades. Surgiu em um contexto de forte opressão cultural e religiosa, o texto bíblico recorda que, mesmo diante das tribulações e dos poderes que ameaçam a fé, a história permanece nas mãos de Deus.
Um dos aspectos centrais do livro é o testemunho de Daniel, que vive no coração do Império Babilônico e exerce funções públicas sem abandonar os valores fundamentais de sua fé. Sua trajetória convida os fiéis a refletirem sobre como viver a fidelidade a Deus em meio às pressões sociais e culturais do próprio tempo, aliando sabedoria, discernimento e perseverança.
O livro também oferece elementos importantes para a compreensão bíblica da esperança na ressurreição. No capítulo 12, diante do sofrimento e da perseguição dos justos, ganha força a certeza de que a morte não tem a última palavra. A esperança na ressurreição torna-se, assim, fonte de coragem para enfrentar as dificuldades do presente.
Outro episódio destacado é a história de Susana, narrada no capítulo 13. Vítima de assédio, abuso de poder e de um julgamento injusto promovido por autoridades de sua própria comunidade, Susana tem sua inocência reconhecida graças à intervenção de Daniel. A narrativa convida à defesa da vida e da dignidade das mulheres e ao enfrentamento das diferentes formas de injustiça.
A linguagem apocalíptica é outra característica marcante do livro. Repleta de símbolos e visões, ela não pretende provocar medo, mas transmitir uma mensagem de esperança. As imagens utilizadas pelo texto apontam para a transitoriedade dos poderes humanos e reafirmam a confiança na vitória de Deus, da verdade e da salvação.
Deus abençoe você!
Missão Consagra-te | Movimento Rosário Perpétuo de São Carlos
Gisele Botega
Historiadora e Bacharel em Direito com Especialização em Direito Canônico pela Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo








