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Leitura de impressão digital via tecnologia óptica

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18/02/2024 05h51 - Atualizado há 2 meses Publicado por: Redação
Leitura de impressão digital via tecnologia óptica

Entrevistado: Mario Trama Buozzi

Desde a invenção do laser na década de 1960, tivemos grande crescimento tecnológico, dos mais corriqueiros do dia a dia, como os leitores de código de barras e laser pointers, até os mais avançados como em telecomunicações e cirurgias. E ainda assim, existem muitas situações, que é possível a implementação da tecnologia laser, mesmo as que já possuem solução.

Um exemplo é a leitura de impressão digital, que inicialmente era coletada analogicamente com tinta e papel, como se o dedo fosse um carimbo. Atualmente, a maioria dos sensores já utilizam luz para fazer essa leitura, tornando o processo mais preciso. Contudo, ainda existe um problema nesta forma de aquisição.

Algumas pessoas não possuem uma impressão digital muito saliente, seja naturalmente ou por desgaste devido ao trabalho manual. Em alguns casos, criminosos rasuram propositalmente suas digitais para não serem reconhecidos.E para evitar troca de bebês em maternidade poderia ser feito o cadastro da impressão digital da criança, porém, muitas vezes a digital ainda está incompleta emrecém nascidos. Como a coleta é feita na parte externa da pele, nesses casos dificilmente o reconhecimento pela leitura da digital será eficiente.

A solução para esta questão seria a implementação de uma técnica capaz de enxergar por dentro do dedo e ler a segunda camada da nossa pele, a derme, onde existe uma cópia preservada e idêntica a digital original.

No Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF) localizado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) estamos trabalhando na solução deste problema, implementando uma metodologia chamada OCT, do inglês Optical Coherence Tomography ou Tomografia por

Coerência Óptica. Essa metodologia já é conhecida e tem outras aplicações, como na oftalmologia. Porém, é inovador o seu uso para o reconhecimento de impressões digitais na derme.

A técnica se baseia em medir o atraso da luz refletida pelas camadas da pele com relação a uma referência, dessa forma, é obtida informação de profundidade por toda a área da impressão digital, com isso, é possível construir uma imagem em3D e assim fazer o reconhecimento do indivíduo através da digital interna que foi lida pela nova técnica.

Esta metodologia moderna apresenta várias características que demonstram o avanço tecnológico desenvolvido nos laboratórios do IFSC. Sua montagem é feita em fibra óptica e contém um micro espelho para escanear o dedo, o que permite que o sistema seja compacto. Além disso, a câmera utilizada na coleta dos dados pode capturar até 95 mil pontos por segundo, gerando uma imagem em 3D com alta resolução em 6 segundos.

Esta pesquisa tem intenção de elaborar um produto que funcione em locais de alta segurança, como bancos, delegacias e hospitais, para facilitar a identificação das pessoas que possuem falhas na impressão digital, das tentam burlar o sistema convencional de reconhecimento por impressão digital e evitar a troca de bebês emmaternidades, assim trazendo mais segurança para a sociedade.

Fontes: Pesquisador Mario Trama Buozzi – Membro do Laboratório de Inovações Optrônicas para Oftalmologia e Agricultura (LIO2A) – CEPOF – INCT – IFSC – USP ; Ms. Kleber Jorge Savio Chicrala – Difusão Científica e Jornalismo Científico – CEPOF – INCT – IFSC – USP

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