O filme de terror psicológico e sobrenatural de título “Obsessão” (2025) encena como o medo do abandono, desespero por ser amado e dependência emocional podem levar uma pessoa a situações sintomáticas e obsessivas. No longa, o personagem principal “Bear” é um jovem romântico e apaixonado pela amiga de infância “Nikki”. Inicialmente não tendo coragem de admitir isso a ela por medo da rejeição. E, após a morte da gata de estimação (vínculo de apoio emocional), usa de um desejo mágico para que a amiga o “ame mais do que qualquer pessoa no mundo”, como a gata fazia.
Durante o filme, Nikki é possuída por uma entidade sobrenatural obsessiva, persecutória e assassina. E, em alguns momentos de lucidez, ela pede por ajuda ou pela morte para poder ter liberdade. Porém, Bear vê esses pedidos como o seu amor sendo negado e prefere deixá-la em sofrimento para se iludir que está sendo desejado.
A Psicanálise e Psicologia explicam como o medo do abandono pode remontar as primeiras experiências de vida de alguém. Isso porque as ausências que representam riscos aos bebês são vividas como um medo de ter a vida e mente aniquiladas. E durante o desenvolvimento da criança, estas se tornam angústias e medos de perder tudo aquilo que é bom e pode ser amado. Com a ausência de segurança, que a presença do outro causa, resultando então em um risco real a preservação da integridade psíquica.
Para combater este medo de aniquilação de tudo que é bom e amado, a mente passa a funcionar de uma maneira neurótica, obsessiva, desesperada e repetidamente se autossabotando. Pois, o desespero constante de se perder o afeto leva a ações ciumentas, carência, necessidade de validação constante e hipervigilância nas relações.
Ademais, um mecanismo de defesa comum para se evitar toda essa angústia e sofrimento pode ser a autossabotagem das relações. Ilustrada por testes excessivos e desproporcionais do afeto dos outros. Já que se cria a ideia de que é melhor romper algo antes que o outro te abandone, se autoenganando que esse funcionamento dá um controle a situação.
Junto a tudo isto, há outra defesa: a “repetição compulsiva ao erro”. Ou seja, a escolha de parceiros ou relações impossíveis ou indisponíveis. Uma tentativa mais inconsciente de reencenar situações de abandono e se vingar, buscar reparações ou retomar o controle das narrativas sempre de uma forma disfuncional.
Podendo remeter a um quadro mais clássico de dependência emocional. Mas também, a quadros de amor histérico, transtornos de personalidade borderline, depressivos e ansiosos, relacionamentos tóxicos e controladores. E até mesmo a pessoas que recorrem ao suicídio quando enfrentam a ideia do abandono.
Neste sentido, a psicoterapia se faz importante para que a pessoa tenha um espaço seguro e livre de preconceitos para ter suas dores e angústias ouvidas. Além de dar vazão aos medos que a perseguem desde a infância. Podendo então ressignificar os seus afetos e relações. Além de fortalecer a si, seu psiquismo (seu Ego) e sua identidade. Se tornando assim uma pessoa mais autônoma.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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