Psicologia em Foco

O estupro coletivo em Copacabana e o discurso “Red Pill”

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No dia 31 de janeiro de 2026, em Copacabana no Rio de Janeiro, uma adolescente de 17 anos foi vítima de um estupro coletivo e de repetidas agressões físicas. Tendo sido alvo de inúmeras violências (físicas psicológicas e sexuais) por quatro homens junto a um adolescente.

Após o episódio, surgiram mais três denúncias (até o momento) de outras vítimas (menores de idade na época), que passaram por situações parecidas. Há também registros de vídeo de comemoração entre esses cinco após os crimes.

De acordo com dados do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), só em 2024 houve 87.545 vítimas de estupro no Brasil. O maior número já registrado pelo Fórum: 87,7% das vítimas são do sexo feminino. Ilustrando a crescente onda de violência de gênero no país. Este é o tipo de violência que tem como foco as mulheres, utilizando da justificativa de que, por serem mulheres, deveriam estar no papel de subordinação e de objeto alvo de violência de qualquer natureza.

Paralelamente e intrinsicamente a estes dados, a partir de 2023 se intensificou, no Brasil, o movimento conhecido “Red Pill” (pílula vermelha). Em sua base, o discurso tem ideias misóginas (que pregam submissão feminina e ódio as mulheres). E, prega que ao se juntar ao movimento e escolher a pílula vermelha, o homem teria uma “melhor consciência da realidade do mundo”.

Pois, assim os homens voltariam ao seu lugar de direito de dominar totalmente as mulheres e serem respeitados por sua masculinidade. Há a “fantasia de masculinidade”, que é de “ser o provedor de prazer e sustento total, sempre suficiente e o controlador da relação”.

Houve, portanto, a crescente normalização de discursos que pregam ódio, submissão, preconceito e misoginia. E muitos passaram a normalizar a cultura do assédio, abuso e agressão. Como se isso fosse resolver a vida amorosa e financeira destes homens.

Nesta lógica, quando olham uma mulher, adolescente ou criança, não se vê uma pessoa. O que enxergam é apenas um alvo, um objeto para ser dominado, controlado, violentado, usado até que eles atinjam o máximo do seu prazer e depois a descartem no lixo.

Ademais, a insegurança de não atender a essa fantasia pré-datada de masculinidade gera uma ansiedade em tais homens, que recorrem a comportamentos perversos para se provarem frente a outros do sexo masculino. Isto porque a perversidade permite o prazer e autoafirmação através da quebra de regras sociais e atos infracionais. É uma tentativa de provar o autovalor pela performance.

Se busca o controle, manipulação, crueldade, violência e abuso. Porque a outra pessoa é só vista como objeto que vai permitir atingir o prazer. Principalmente ao se gerar dor de forma sádica.

Portanto, a normalização de discursos misóginos e preconceituosos, como o Red Pill, tem impactos na saúde mental da sociedade. E normaliza atos de violência perversos, principalmente ao se falar sobre questões de gênero.

Neste sentido é importante a atuação da Psicologia em estratégias de educação sobre direitos, combate a preconceitos e promoção de saúde e segurança, a partir do entendimento das causas destes fenômenos. E da abordagem da psicoterapia individual e livre de preconceitos para se tratar tanto de mulheres vítimas de violência de gênero, quanto de homens que são alvo destes discursos e acabam sendo enganados por “soluções milagrosas” para os seus problemas.

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

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