As BETS foram liberadas em 2018, no governo Temer. Era prevista uma regulamentação em 2022 no governo Bolsonaro, porém não foi feita. Então, em 2023, no governo Lula, foram realizadas a regulamentação, tributação e licenciamento das casas de aposta. Por fim, no dia 25 de setembro de 2026, foi assinada pelo presidente Lula a Medida Provisória 1394/26 que proíbe o funcionamento das BETS e seu marketing nos Brasil.
As BETS são jogos de apostas, sejam esportivas ou de outras modalidades, como no estilo caça-níqueis. E que trabalham com uma quota fixa, ou seja, no momento de apostar o ganho esperado já é definido previamente. Porém, a frequência do resultado é incerto e não tem garantia de ocorrer.
De acordo com a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) cerca de 5.600 pessoas eram empregadas pelo setor de BETS no Brasil. Ademais, segundo o Governo Federal, no período de 2018-2026, as BETS se tornaram o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, superando crediários e juros de orçamento. O rendimento econômico, ainda no ano de 2025, foi de R$ 9,9 bilhões, mas retiraram R$ 141 bilhões da economia. Só em números de um único ano, o brasileiro perdeu mais do que 14 vezes o lucro.
Já para o Ministério da Saúde, as perdas não são apenas financeiras. Pois, sabe-se que o vício em jogos e apostas está associado a outras questões de saúde mental, inclusive o suicídio. Conforme dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo. Com a dificuldade financeira sendo o principal fator associado ao suicídio entre os apostadores.
E para a Associação Médica Brasileira, só em 2025 mais de 1,4 milhão de brasileiros se viciaram em jogos de apostas. Isso porque, o risco da dependência é 150% maior entre jogadores online. O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima também um custo de R$ 30,6 bilhões anuais aos cuidados sociais de vícios em jogos, o que inclui: saúde, suicídios, depressão e tratamentos médicos. Um gasto também 3 vezes maior do que o lucro gerado pelas BETS.
Para a Psicologia e Psicanálise, o vício em jogos é o transtorno chamado de ludomania. E envolve o apostar compulsivo (de qualquer valor) em jogos de azar, apesar dos resultados negativos. Porque se geram sensações de medo, prazer, euforia, excitação, bem estar, poder e sucesso. Nesses casos, o indivíduo perde o controle de seu comportamento, assim como do dinheiro e tempo gastos.
Isso pode levar a: ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, isolamento, maior uso de álcool e outras drogas, problemas monetários, familiares, de trabalho, interpessoais (perdas de amizades e divórcios), acadêmicos e emocionais.
Nesta lógica, um dos primeiros sinais a serem identificados são as perdas econômicas. Essas podem incluir desde pequenos valores até todas as economias da pessoa. Isso pois, o indivíduo tenta sempre recuperar o perdido com o aumento de valores, buscando mais prazer e reparação; se esforça para controlar as apostas e se irrita quando não consegue; usa o hábito nocivo como fuga; mente-se para a rede de apoio; e pode recorrer a até a atos ilegais para conseguir dinheiro a fim de sustentar o vício.
Assim, através da psicoterapia, é possível lidar com as consequências psicológicas resultantes do vício em jogos, a reconstrução e envolvimento da rede de apoio e a busca pela melhora.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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