Segundo a notícia publicada em abril de 2025 pela OMS (Organização Mundial de Saúde), desde 2023, doenças consideradas erradicadas ou de contágio em declínio têm ressurgido em muitos países. Dentre estas, estão: sarampo, febre amarela e meningite. Todas cuja principal forma de prevenção é a vacinação.
De acordo com relatórios da OMS, uma das principais causas é baixa adesão da população às campanhas de vacinação, como resultado da desinformação, as “Fake News”. Só no Estado de São Paulo, de 2025 até o início de março de 2026, já existem registros de 2 casos de sarampo, 62 casos e 33 mortes por febre amarela e mais de 3.500 casos e 407 mortes por meningite. Sendo os registros de pessoas não vacinadas.
A resistência às vacinas se tornou um problema recente, mesmo após a Pandemia do Covid-19, que durou oficialmente de 2020 até 2023. E na qual a vacinação foi componente fundamental para salvar vidas. Ademais, para a OMS, uma pessoa, ao se vacinar economiza cerca de 54 vezes o que seria gasto em um sistema de saúde.
Paralelamente, a partir de 2018, se popularizou o uso das “canetas emagrecedoras”, as quais são medicamentos de uso injetável. Tendo a ação de prolongar a saciedade e diminuir a ingestão de alimentos. Foram inicialmente criadas para tratamento de diabetes tipo-2 e também se provaram eficazes no tratamento da obesidade.
A questão, no entanto, se propôs com o comércio de canetas emagrecedoras ilegais, que: não têm procedência comprovada, de eficácia duvidosa, com a compra feita sem acompanhamento médico e possivelmente contaminadas. E possuem diversos efeitos colaterais, além de não resultar na perda de peso desejado. Há náuseas, desidratação aguda, diarreia, hipoglicemia alterações neurológicas, pancreatite, perda acentuada de massa muscular e risco de morte. O que não impediu um aumento explosivo da compra e consumo destas em 2024 e 2025.
Entretanto, apesar de uma injeção ter sua comprovação e benefício visíveis (que são as vacinas), a adesão do público à “febre das canetas emagrecedoras” foi algo avassalador, não importando o risco, custo ou procedência. Isto, de forma geral, não foi em nome da saúde, mas sim de atingir um padrão de estética desejado.
Isto gira em torno de termos como a “gordofobia” (preconceito com alguém devido ao peso ou imagem). E se relaciona aos preconceitos velados e aos impactos psicológicos que resultam desta. Porque se cria o estigma de que: apenas pessoas extremamente magras têm direito a frequentar certos espaços, ter acesso a médicos e tratamentos, comer em público, usar algumas roupas e sair em público, ter empregos que lidem com pessoas ou mesmo aparecer em público.
Há a ideia distorcida de que “vale tudo pra se atingir um ideal de corpo”. Pois este ideal significa poder viver em sociedade. Vale, inclusive, o risco de sequelas para uma vida toda e a morte. Pois, o “mais magro” é considerado “digno”, independente de saúde.
O resultado é imediato. Uma onda crescente de casos no consultório clínico: além dos de saúde física; os de pacientes que sofrem preconceito no ambiente de trabalho, social e família; de transtornos alimentares (anorexia, bulimia e compulsão alimentar); e transtornos de imagem (como a dismorfia). Tudo isto que resulta também em isolamento, automutilação e ideações suicidas.
Tendo tudo isto em mente, o papel da psicoterapia é imprescindível. Pois, a Psicologia não apenas questiona e oferece saídas sobre o quesito psicossocial que leva a este risco de saúde física e mental. Mas, o psicólogo também permite, através da terapia, que aqueles que são afetados por essa lógica perversa possam ter um tratamento eficaz, acolhedor e livre de preconceitos. Buscando-se, assim, na saúde e não apenas em se encaixar em padrões distorcidos.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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