O Dia das Mães é comemorado no segundo domingo do mês de maio de cada ano. Feriado e tradição instaurados no Brasil em 1930. No entanto, quem tem direito de ser comemorado nesta data?
Historicamente, o feriado adquiriu um caráter para além do simbólico inicial. E, celebra apenas algumas das várias mães que ocupam este papel social.
Contudo, mesmo neste grupo seleto, há exclusões e estigmas daqueles que exercem o papel de cuidado, porém não se encaixam no padrão de família nuclear composto pela tríade de pai-mãe-filho. Como se todos esses outros cuidadores e seus afetos fossem menos dignos.
Todavia, segundo a psicologia, a figura de uma “mãe” não é definida por sexo, sexualidade, gênero, classe social ou idade específicos. Mas, sim pelo exercício da “função materna” em relação a outra pessoa.
De acordo com a psicanálise, esta é capacidade de ajudar a constituir o imaginário de cada um, de acolher, dar um senso de proteção, auxiliar na construção de autoconfiança e da própria pessoalidade. Assim, ajudando no fortalecimento do Ego, para que uma pessoa esteja apta para enfrentar seus medos e ansiedades.
Portanto, o papel de “mãe” pode ser ocupado por diversas figuras de cuidado ao longo da vida de alguém. Como: pais, mães, irmãos, avôs e avós, amigos, famílias adotivas, times, instituições, casais homoafetivos, pela própria pessoa ou no espaço da psicoterapia, por exemplo.
Ou seja, não está apenas atrelada ao gênero, conforme foi historicamente construído no senso comum. Na verdade, também se entende que todos aqueles que desempenham tal papel na vida do outro tem direito de serem reconhecidos por isto.
Desta forma, ressalta-se que o psicólogo, com olhares voltados para questões sociais, permite que se construam novas perspectivas para questões que cercam o dia a dia, as quais poderão resultar em tratamentos contextuais, científicos, éticos e que atendam a uma noção de cuidado e saúde mais funcional, atualizada e menos excludente. Tais quais os auxiliados pelo entendimento da importância das diversas figuras de cuidado na vida de uma pessoa e o local que essas ocupam, como o papel de “mãe”.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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