Psicologia em Foco

Os amores e solidões do Dia dos Namorados

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O Dia dos Namorados no Brasil é comemorado em 12 de junho de cada ano, desde 1948. Dentro do simbólico, há a celebração do amor, do companheirismo, do afeto, da amizade e fraternidade e também da união de casais.

Embora o significado seja abrangente e não se limite ao amor romântico dos casais, muitas pessoas sentem que essa é a única opção de felicidade ali presente, resultando em sentirem-se excluídas dos espaços públicos nesta data comemorativa. Quase como que não estar em um relacionamento oficial de afeto romântico as tornassem estigmatizadas.

Estas acabam por fazer a medição da própria autoestima através da presença de um parceiro e só são validadas pelo olhar do público. Isso resulta em questões como sentimento de ansiedade, isolamento, solidão e desespero para se provar amado.

De acordo com o fundador da Psicanálise, S. Freud (1930), a solidão remete a traumas e medos infantis de esquecimento, desamparo e abandono. E faz com que as pessoas frequentemente se isolem ou recorram a possiblidades afetivas diversas e desfuncionais através de relacionamentos.

Isso porque se cria uma ilusão de completude associada ao amor pelo outro, o que resulta na tentativa de usar do romance ou aprovação social para manter a solidão na beira da consciência. É uma autoenganação quase psicótica, se finge que será autossuficiente e atingirá a completa satisfação só pela presença do outro. O que sempre falha. Porque, sabe-se que na realidade nenhuma pessoa tem o poder ou capacidade de completar alguém totalmente.

E o sintoma da falha pode aparecer de diversas formas: relacionamentos que repetem no erro e fracasso, pagar por encontros, dependência emocional, vergonha de sair de casa sozinho, se obrigar a ter relacionamentos consecutivos ou se sujeitar a relacionamentos tóxicos e abusivos.

Ainda, segundo o psicanalista D. W. Winnicott (1958), enfrentar o desamparo da solidão é de extrema importância, pois, ser capaz de estar sozinho na própria companhia é uma conquista desenvolvimental indispensável (principalmente na infância) para que se vá em rumo a sua independência e se possa ter relacionamentos saudáveis.

Portanto, o papel da Psicologia e da Psicoterapia é de permitir que a pessoa entenda que a solução da solidão e caminho para o amor romântico saudável passam por: autoconhecimento; enfrentar sintomas e traumas; e desenvolver amor próprio. Não sendo algo que pode ser magicamente curado ao se delegar a outra pessoa a responsabilidade de estar presente a todo momento por você.

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

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