O dia 18 de maio é sinalizado como o “Dia da Luta Antimanicomial”. Devido ao movimento de luta por direitos daqueles em sofrimento psíquico, que ocorreu no final da década de 1970 e resultou na Reforma Psiquiátrica em 2001. Culminando no fim das internações em manicômios, dessas instituições em si e também buscando o cuidado em saúde mental digno e em liberdade para as pessoas.
A luta tem o lema “uma sociedade sem manicômios”. Com os pilares de: cuidado em liberdade com foco em acolhimento e ressocialização; combate ao preconceito e desmitificação de da loucura; e fortalecimento das redes de cuidado ao sofrimento psíquico. Assim, não se visa mais o isolamento social e estigmatizado de pessoas que buscam cuidado em saúde mental. As quais tinham sua dignidade desconsiderada e direitos violados nos manicômios.
Estes manicômios, no contexto brasileiro, eram instituições de internações psiquiátricas disfarçadas de hospitais, nos quais os pacientes eram enviados contra a própria vontade. E obrigados a passar o resto de suas vidas sofrendo tratamentos brutais, desumanos e sem comprovação científica.
O livro “O Holocausto Brasileiro”, por exemplo, conta a história do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena-MG (também conhecido como “Hospital Colônia”), através dos relatos de sobreviventes. A Colônia, que começou com a proposta de tratar pessoas neurodivergentes e com deficiência, foi local de tortura de mais de 60 mil pacientes e sua consequente eliminação de forma sistemática. Houve apenas 200 pacientes sobreviventes no total.
Barbacena abrigava: homossexuais, mulheres que perdiam a virgindade antes do casamento, ou eram engravidadas por patrões, pessoas em situação de rua, alcoolistas, pessoas com deficiência e neurodivergentes. O critério para internação não era baseado em um transtorno ou doença, mas sim no fato de que aqueles que ali estavam “não se enquadravam aos padrões sociais”, eram os marginalizados. Com cerca de 70% dos internados não tendo nenhum diagnóstico real.
Ademais, o artigo “A História da Colonização do Autismo” (2025) reconta como em Barbacena as pessoas neurodivergentes sofreram com pílulas sem funcionalidade, pacientes amarrados durante semanas, torturas, lobotomias e eletrochoques. Até que apresentassem comportamentos “socialmente aceitos”. Tudo isso, com médicos sendo substituídos por guardas.
Uma das consequências da história brasileira é que pessoas neurodivergentes “não eram vistas” na sociedade, pois estavam jogadas nessas prisões psiquiátricas. Ou seja, há a ideia de que a neurodivergência é uma novidade difícil de se conviver com. Além disso, hoje, quem não se adequa a esses padrões socialmente aceitos de comportamento é estigmatizado como “incapaz”.
Portanto, cabe à Psicologia e ao psicólogo ajudar na compreensão dos transtornos mentais e a tirar o estigma manicomial do imaginário da população. Ademais, através da psicoterapia, fornecer um acolhimento e tratamento humanizado e de qualidade, livre de preconceitos e com bases científicas reais.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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