Psicologia em Foco

Hiperfoco e TEA, são palavras da moda ou uma nova realidade?

O dia 2 de abril de cada ano foi eleito pela ONU (Organização das Nações Unidas), como o “Dia Internacional da Conscientização sobre o Autismo”. E, junto a campanha do “Abril Azul”, no Brasil, tem os objetivos de: conscientização através da informação, combate ao preconceito e busca de inclusão e respeito através políticas públicas e privadas, buscando assim o cuidado e acesso a suporte por estas pessoas.

Pelos efeitos das campanhas e do aumento dos diagnósticos nas últimas décadas, os termos “TEA (Transtorno do Espectro do Autismo)” e “Hiperfoco” se popularizaram. Principalmente através da inclusão do TEA nos manuais de diagnósticos usados internacionalmente. Mas o que cada um significa?

Para a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria, 2025), o TEA é uma condição de neurodesenvolvimento que aparece na infância, por volta dos 14 meses de idade (mesmo que demore a ser identificada). E afeta a cognição, o desenvolvimento das habilidades de comunicação, atenção e socialização. Além de apresentar comportamentos restritivos e repetitivos. Dentre os quais se encontra o “hiperfoco”.

Já segundo a Psicologia, o termo hiperfoco é utilizado desde a década de 1990. E fala sobre um estado de funcionamento psíquico e motor de atenção concentrada.

Ou seja, quando a atenção tem como alvo um único objeto, estímulo ou tarefa. Por causa disso, requer um alto esforço psíquico e a habilidade de manter a atenção em um único estímulo por longos períodos de tempo (chamada de atenção sustentada).

Ademais, de acordo com a Psicanálise, o que gera um hiperfoco é mais do que apenas a afinidade por um tema; é, na verdade, a busca pela aproximação psíquica intensa pelo objeto desejado. O que resulta em uma fixação sobre tudo aquilo associado a este. E o resultado disto é o ignorar de distrações outras, sejam internas (como a fome, sede ou sono), ou as externas (tal qual um horário ou prazo).

Na maioria dos casos, a raiz está no fato de que o hiperfoco pode levar à absorção de grandes quantidades de conhecimento e aumento da produtividade sobre as tarefas ou tópicos de afinidade. No entanto, em casos de neurodivergências (como o TEA) o hiperfoco tem uma finalidade diferente.

Isto porque, para uma pessoa com TEA, o hiperfoco tem a função de repetição confortável de uma tarefa conhecida à exaustão. Neste caso, o objetivo não é necessariamente uma produtividade ou se esmiuçar o tema. Mas, sim, usar o objeto de hiperfoco como um suporte emocional visível e palpável psiquicamente para situações de aversão ou de difícil enfrentamento.

Tendo todas estas questões em mente, o papel do psicólogo se faz importante para que exista a conscientização sobre os temas, entendendo que não se está falando de modismos ou frescuras, mas de questões psíquicas do funcionamento de pessoas reais. Além disso, para que o tratamento e suporte a estas possam ocorrer de forma ética.

Ademais, com o objetivo de que comportamentos como o hiperfoco possam ser devidamente analisados e interpretados. Para assim serem direcionados de forma funcional para cada pessoa. Por exemplo, para expandir os campos de aprendizagem cognitivos e de habilidades socioemocionais. De modo que não se causem prejuízos ao seu bem-estar, como na rotina alimentar, de sono ou de atividades de modo geral.

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

Compartilhe:

Recomendamos para você

Psicologia em Foco
A escala 6×1 afeta negativamente a saúde mental de pelo menos 62% dos trabalhadores que têm carteira assinada no Brasil
Há 6 dias
Psicologia em Foco
Conforme dados da OMS, a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo
Há 13 dias
Psicologia em Foco
Há uma articulação psíquica para negar as necessidades de existência de uma pessoa que lembra algo ruim pelo qual já se passou
Há 20 dias
plugins premium WordPress