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“Looksmaxing”, a pressão estética e de identidade masculina

Reprodução/Livro/Amazon

Uma nova onda da indústria do bem-estar vem sendo vendida pela “machosfera” (subcultura digital da misoginia mais agressiva): o “looksmaxing”, que é a tendência da maximização da imagem física masculina a qualquer custo. E o conteúdo costuma chegar aos adolescentes através de plataformas de vídeos curtos.

Essa situação inclui padrões rígidos e idealizados de beleza masculina, procedimentos de risco e hierarquização social dos adeptos, prometendo maior sucesso na vida aos que mais sofrem para se encaixarem nesta. Ela prega que aqueles que se sacrificam pelo padrão seriam superiores em todos os aspectos em relação ao resto da população, isso porque o sofrimento é igualado a uma disciplina que merece recompensa. Com os sofredores passando a integrar uma nova elite social.

Os alvos do looksmaxing são principalmente meninos adolescentes: aqueles cujos egos estão mais fragilizados ou não completamente formados. Ao passo que as mulheres seriam apenas um dos objetos a serem ganhos através deste sofrimento.

A psicanálise explica tal fenômeno. Nos adolescentes se relaciona ao período formativo identitário em que estão entendendo quem são e quem poderão ser. Ou seja, o Ego ainda busca por identificação nos pares para se espelhar e entender. Ademais, diz sobre uma dificuldade de lidar com os conflitos das angústias do inconsciente frente às pressões e exigências sociais.

Neste contexto, os adeptos se sentem na obrigação angustiante de fazer tudo para entrar no padrão: sejam dietas loucas, exercícios sem orientação, procedimentos estéticos ou cirúrgicos sem acompanhamento profissional ou, até mesmo, martelar o próprio rosto em busca de um maxilar ideal.

Assim, a performance masculina de gênero é levada ao extremo, garantindo um lugar de pertencimento a quem entra na onda.

Portanto, os comportamentos sintomáticos comuns de pessoas pegas nesta lógica são: angústia sobre a identidade, ansiedade, transtornos de imagem (como a dismorfia), comportamentos obsessivos, agressividade, isolamento e embotamento afetivo.

Com isto em mente, o papel do psicólogo é de ajudar a lidar com as angústias internas, dar ferramentas para se enfrentar o que está internalizado, transtornos, questões identitárias, busca por reconhecimento e enorme pressão estética.

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

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