Em abril é realizada a campanha de conscientização do TEA (Transtorno do Espectro Autista), o “Abril Azul”. A qual busca reduzir a discriminação e o preconceito.
O transtorno é caracterizado por uma série de desafios com habilidades sociais, padrões restritos e repetitivos de comportamento, sensibilidade sensorial e rigidez psíquica. Evidências científicas apontam que não há uma causa única, mas sim a interação de fatores genéticos e ambientais.
Com o aumento do número de diagnósticos, veio a maior oferta de tratamentos de diversos setores. Assim como o entendimento de que o TEA necessita de um acompanhamento personalizado e multidisciplinar. Sempre buscando saúde, funcionalidade, independência e melhorar a qualidade de vida da pessoa.
Normalmente, o ABA (Análise do Comportamento Aplicada) é indicado no campo da psicologia. Pois, apresenta resultados mais rápidos no campo do ensinamento de comportamentos desejados e extinção dos indesejados, resultando em maior autonomia pela psicoeducação.
No entanto, a Psicanálise (que também é uma abordagem da Psicologia) vem se apresentando como alternativa robusta para o tratamento. Principalmente para pessoas com TEA de suporte 1 e 2.
Isso porque, na abordagem psicanalítica, o foco é na subjetividade, em como as singularidades têm sua funcionalidade e na busca por fortalecimento de laços sociais e redes de apoio, tudo de maneira centrada na pessoa como protagonista. Se entende o TEA como um modo de funcionamento psíquico a ser compreendido e suas angústias, enfrentadas e não só adaptadas.
Dentre os objetivos não está a padronização da pessoa como princípio. Mas o criar de uma independência. Isso através de métodos de comunicação personalizados, compreensão do que mantém os comportamentos e para que servem, desenvolvimento da subjetividade, confiança e autoestima. Desta forma reduzindo angústias e ansiedades, ao passo que fortalece o paciente para lidar com o dia a dia na sua forma própria.
Então, se mostra eficaz no tratamento de sintomas comórbidos do TEA, como ansiedade e depressão. E também busca o identificar e compreender das emoções em si e nos outros, além de incentivar a autonomia nas interações sociais através da disponibilidade de cada um.
Portanto, a questão não é sobre a superioridade de uma ou outra abordagem da psicologia. Mas poder entender que cada uma tem objetivos e maneiras diferentes de tratamento a pessoa com TEA.
Ademais, para que as intervenções possam ser feitas de maneira ética e funcional, é necessário que o psicólogo seja qualificado para a demanda. O que permite que o tratamento seja eficaz.
Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)
Psicanalista especializado em gênero e sexualidade
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