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Os cuidadores nas neurodivergências e o peso de serem super-heróis

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A “neurodivergência” se refere a um funcionamento cerebral que diverge do padrão esperado socialmente para uma determinada faixa etária, o que engloba variações neurológicas e cognitivas e implica na maneira específica da pessoa processar estímulos e informações.

Dentre essas há: o TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), AH/SD (Altas Habilidades/Superdotação), dislexia, Síndrome de Tourette ou discalculia.

O tema do TEA é abordado especialmente no mês de abril, devido à campanha “Abril Azul”, iniciada em 2007. Dentre os objetivos dela estão: a conscientização através da informação, combate ao preconceito e busca de inclusão e respeito através políticas públicas e privadas.

No entanto, muitas vezes os cuidados e suporte ficam mais focados especificamente na pessoa neurodivergente. Assim, acabam por não englobar a família e, principalmente, os cuidadores.

Os cuidadores são aqueles que assumem o papel de dar o suporte primário para a pessoa neurodivergente, sendo responsáveis tanto pelo alicerce físico e prático-organizacional, quanto pelo emocional.

Quem vê de forma externa classifica estes cuidadores como “super-heróis”, exaltando-os, ao mesmo tempo que os colocam em um pedestal, no qual não precisariam de auxílio. Só que não é bem assim. Devido às inúmeras tarefas que se concentram, na maioria das vezes, na figura de uma única pessoa, se geram sobrecargas físicas e mentais, já que é essa pessoa que leva a todas terapias, organiza medicações, marca e transporta para consultas, dá suporte na higiene, fica responsável pelo lazer, educação, etc. tudo de forma diária e ininterrupta.

Há a construção do ideal inatingível de que um cuidador deve sempre se bastar e nunca pedir ajuda, tendo também unicamente um amor altruísta, jamais pensando em si ou cobrando algo pelos seus cuidados (seja afeto, responsabilidade ou valor monetário).

E, neste local solitário de cuidar sem, em nenhum momento, receber cuidado, há situações de angústia, como: preocupações diárias sobre o outro, estresse, burnout, isolamento, perda de redes de apoio ou emprego, mudanças e adaptações de rotina, medo de julgamentos ou represálias, dificuldades de acesso à informação, questões financeiras, ansiedade e depressão.

Em tais situações, o papel de um psicólogo é importante para oferecer espaço de cuidados aos cuidadores e também para lidar com as consequências desse papel de super-herói que é delegado a eles. Alguns exemplos de intervenções possíveis são com palestras para conscientização, grupos terapêuticos de orientação e psicoterapia individual.

Psicólogo Matheus Wada Santos (CRP 06/168009)

Psicanalista especializado em gênero e sexualidade

Redes: @psicologo_matheuswada

WhatsApp: (16) 99629 – 6663

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